A
Paralisia Cerebral é umaalteração do movimento e da postura,
resultante a um defeito ou lesão não progressiva no cérebro imaturo. Calcula-se
que, sua incidência em nosso país possa ser em torno de 05 casos a cada 1.000
nascimentos, porém não temos estatísticas oficiais sobre esta realidade. Pode
ser de origem:
1.
pré-natal:
por situações genéticas, congênita, devido a infecções como a rubéola, tóxico-metabólicas e traumas na gestante; etc.
2.
peri-natal:
por prematuridade, baixo peso ao nascimento, anóxia (por circular de cordão, parto difícil,
demora do parto), etc.
A Prevenção
se dá através de: boa assistência pré-natal, boas condições hospitalares,
pediatra na sala de parto, estimulo ao parto normal, UTI neonatal para
prematuros e os nascidos com baixo peso. Cuidados gerais da saúde e vacinação
após o nascimento, prevenção de acidentes (crianças em cadeiras próprias e no
banco traseiro dos automóveis); prevenção e cuidados com os maus-tratos
infantis.
A Classificação
da Paralisia Cerebral pode ser:
1.
Por suas
manifestações clínicas: tipo espástica (a
mais comum), atetósicas, ataxias e mistas.
2.
Topográfica: hemiplegia (atinge um lado do corpo), diplegia (maior comprometimento nos
membros inferiores), dupla hemiplegia (atinge os quatro membros porem com um dos lados bem mais comprometido), tetraplegia(totalmente comprometido)
O grupo de Paralisia Cerebral de Melbourne na
Austrália difundiu um método de classificação motora que está sendo utilizado por muitos serviços
em todo o mundo pela facilidade de entendimento e pela possibilidade de
enfatizar a função da criança e não suas limitações. È o Sistema de
Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS),
é apresentado em 05 níveis de função para várias idades distintas. Falaremos
sobre a idade ente 06 a
12 anos devido a importância do tratamento nesta idade, sendo que o nível 01 é
o menos grave e o nível 05 o mais gravemente comprometido.
Nível 01- A criança
senta-se na cadeira, mantém-se sentada, levanta-se sem a necessidade de apoio
das mãos, são andadores comunitários e sobem escadas. Iniciam habilidade de
correr e pular.
Nível
02- A criança fica sentada em cadeira com as mãos livres, mas
frequentemente necessita de apoio para levantar-se. Anda sem necessidade de
auxilio, mas não consegue correr ou pular, necessita de corrimão para subir
escadas.
Nível 03- A criança
senta-se porém necessita de apoio do tronco ou da pelve para deixar as mãos
livres , necessita de apoio para levantar, anda necessitando de andadores ,
sobe escadas com ajuda de um adulto e para longas distancias utiliza cadeira de
rodas.
Nível 04- A criança senta em cadeira mas necessita de
adaptações para controle do tronco para deixar as mãos livres, conseguem as
vezes andar com andador com a supervisão do fisioterapeuta, usam cadeira de
rodas e fazem treino de marcha na fisioterapia .
Nível 05- As dificuldades físicas restringem o controle
voluntário do movimento e a capacidade de controle cervical e do tronco. Usam
cadeira de rodas.
É importante salientar que existe uma distinção
entre os grupos:
Níveis 01
e 02- as crianças do nível 02
mostram limitações ao realizar transições de movimento ao andar em espaços
externos e na comunidade, necessita de andadores quando inicia o andar, não
consegue correr ou pular.
Níveis 02
e 03- as crianças do nível 03 necessitam de aparelho de locomoção ou
órteses para andar, enquanto as do nível II não necessitam, após os 04 anos.
Níveis 03
e 04- diferenças na capacidade de sentar e
locomoção, as crianças do nível 04 sentam-se geralmente apoiadas e a locomoção
independente é muito limitada, geralmente usam cadeira de rodas.
Níveis 04
e 05- as crianças do nível 05 não
tem independência e,, muitas vezes não tem controle cervical e do tronco, usam
sempre cadeira de rodas.
Como princípio geral do tratamento há necessidade
de uma abordagem multidisciplinar onde a pediatria, a fisioterapia, a
psicologia, o serviço social, a fonoaudiologia, a terapia ocupacional, o ensino
pedagógico, a neurologia e a ortopedia estejam todos envolvidos na melhor forma
de reabilitação da criança, sendo que a meta a ser atingida é a função,
prevenir deformidades, promover independência, adequação postural, orientação
familiar, possibilitar lazer, inclusão escolar e social e finalmente inclusão
no mercado de trabalho. Não podemos esquecer a importância dos atendentes e
cuidadores neste processo.
Do ponto de vista ortopédico, utilizando a GMFCS, a meta, para os níveis 01, 02 e 03 é a correção de
deformidades, a melhora da marcha e a melhora da função. Para o nível 04, a meta é manter quadris centrados, móveis e
indolores, pés plantígrados, passíveis de utilizar órteses, facilitar
transferências e ortostatismo, posicionar adequadamente a criança sentada. Para
o nível 05, a meta é manter quadris centrados e indolores, coluna
alinhada e boa postura sentada.
Muitas vezes estes objetivos não são alcançados por
dependerem de vários fatores, entre eles a não constância de comparecimento às
avaliações e tratamentos.
É importante também delinear que a Paralisia
Cerebral não é uma doença evolutiva por si só, porém podem ocorrer mudanças na
evolução devido ao crescimento, desenvolvimento e maturação ou por alguma
intercorrência ou complicação clínica durante a vida destas crianças. Por isso,
é importante que estas crianças se mantenham em tratamento e observação
constantes.
Todos sabem, que a Paralisia Cerebral pode causar
algumas limitações, temos então que focar nas capacidades restantes e
desenvolve-las, não esquecendo o slogan da ANPR \"excepcional é a nossa capacidade de amar\".